Quinta, 21 de Setembro de 2017   
Artigo Original

13/3/2012
APROVEITAMENTO DE DENTES DECÍDUOS USE OF DECIDUOUS TEETH
NATHÁLIA CORRÊA ; TATIANE JUNQUEIRA
Disciplina Introdução a Clínica - UNIVERSO

INTRODUÇÃO
Graças a Revolução Industrial na Inglaterra, século XVIII, o cenário mundial mudou. Em todas as áreas do conhecimento, principalmente na saúde houve um grande avanço técnico-científico. Novas descobertas foram feitas e com o passar dos anos são desenvolvidos novos aparelhos e tecnologias para ajudar às pessoas no combate a doenças até então incuráveis.
Um dos grandes exemplos desse avanço são as chamadas células-tronco de dente de leite que têm a capacidade de multiplicar-se e se diferenciar dando origem a células semelhantes às progenitoras. Dessa forma a ciência evolui cada vez mais e novas descobertas vão surgindo em prol da humanidade.
No Brasil e no exterior o uso de dentes em pesquisas com células-tronco está ganhando cada vez mais importância. Pesquisadores do Instituto Butantã, em São Paulo (SP), explicam que a polpa dentária contém células-tronco adultas e pluripotentes e que sua capacidade de proliferação é grande, assim como o seu potencial de originar outras células e tecidos.
Dessa forma, o avanço das pesquisas com células-tronco da polpa dentária e a bioengenharia tecidual caminham juntas com o intuito de desenvolver novas terapias que podem ser utilizadas para recuperar fraturas ósseas, deficiência do epitélio corneano, para tratar de doenças musculares, dentre outras.
REVISÃO DE LITERATURA
De acordo com a Lei de Biossegurança, Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, estabelece: Capítulo I, Art. 1º: “... normas de segurança de mecanismo de fiscalização sobre... a pesquisa... e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente”. ¶ 1º: “Para fins desta Lei, considera-se atividade de pesquisa a realizada em laboratório...”. Art. 3º: “Para os efeitos desta Lei, considera-se: inciso XI células-tronco embrionárias – células de embrião que apresentam a capacidade de se transformar em células de qualquer tecido de um organismo”. Art. 5º: “É permitida para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro... que atenda as seguintes condições: inciso II sejam embriões congelados há três anos ou mais...”. ¶ 1º: “... é necessário o consentimento dos genitores”.
Uma polêmica que vai de encontro com essa Lei são as Diretrizes do Vaticano por não apoiar as pesquisas com células-tronco embrionárias pela mesma razão que condena o aborto, para Ela, o embrião é considerado um ser humano, assim sendo, provocaria a destruição do embrião.
O “United States Catechism for Adults” relata que “... Investigações científicas em células-tronco embrionárias são chamadas de „um meio imoral para um bom fim‟ e „moralmente inaceitável‟”.
Dessa forma a Igreja apoia a pesquisa de células-tronco adultas, células da medula óssea e do cordão umbilical. Porém essas células são limitadas a originarem somente alguns tecidos do corpo. Mas com o avanço das pesquisas em células-tronco e da bioengenharia tecidual, novas terapias estão surgindo através da descoberta de células-tronco da polpa dentária. E com certeza a Igreja seria favorável às pesquisas dessa nova tecnologia até então desconhecida por muitos.
Pesquisadores do Laboratório de Genética do Instituto Butatã em São Paulo, SP, desenvolveram uma técnica que utiliza a polpa do dente para criar células-tronco que podem dar origem a outras células e tecidos. O estudo, no Brasil, teve início há sete anos e é coordenado pela Bióloga Russa Irina Kerkis, diretora do Instituto Butantã. Ela mostrou que as células adultas da polpa do dente podem ser regredidas ao estágio pluripotentes induzido. Essas células demonstraram ter a mesma versatilidade de células-tronco embrionárias retiradas de embriões de
poucos dias (Matéria da RECORD exibida em 01.04.2011, acessada em 20.10.2011; www.butantan.gov.br).
Segundo a bióloga, essas células podem ser utilizadas para recuperar fraturas ósseas, deficiência do tecido corneano e pode tratar também doenças musculares (Matéria da RECORD exibida em 01.04.2011, acessada em 20.10.2011; www.butantan.gov.br).
O pesquisador do Instituto Nelson Lezier, explica que os dentes são lavados em uma solução salínea e é promovida a retirada do tecido pulpar. Após esse processo esse tecido é colocado em uma placa de cultura onde vai começar a liberar células e migrar para a placa. Essas são as chamadas células-tronco adultas de polpa dentária. Em seguida, essas células serão utilizadas para promover a reprogramação para as células semelhantes às células embrionárias (Matéria da RECORD exibida em 01.04.2011, acessada em 20.10.2011; www.butantan.gov.br).
Nelson Lezier relata ainda que o Instituto Butantã conseguiu a aprovação do CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), órgão que regulamenta a pesquisa com seres humanos, para a aplicação dessas células-tronco de polpa dentária para a reconstrução do epitélio ocular. Mais ainda estão nos primeiros estágios de testes (Matéria da RECORD exibida em 01.04.2011, acessada em 20.10.2011; www.butantan.gov.br).
O Instituto quer construir um banco de dente de leite para que as pesquisas possam dar continuidade. Após a queda do dente, o mesmo deve ser colocado em um reservatório com água potável ou solução fisiológica e entregue ao Instituto no prazo de 24 horas para garantir a integridade desse tecido (Matéria da RECORD exibida em 01.04.2011, acessada em 20.10.2011; www.butantan.gov.br).
A pesquisadora Daniela Araújo da UnB (Universidade de Brasília) descobriu que as células da polpa do dente podem passar até cinco horas fora do ambiente de cultura. Segundo literaturas especializadas, as células-tronco dentárias devem ser colocadas em meio de cultura imediatamente após a coleta do material. Daniela revela que mesmo após cinco horas expostas ao ambiente, as células mantêm as mesmas características desejadas e a capacidade de multiplicação quando colocadas na cultura (UnB Ciência 14.02.2011).
As vantagens dessa técnica são a facilidade de acesso e coleta do material, além de não envolver questões éticas e religiosas como a polêmica em relação ao uso de células de embriões. Outra vantagem seria a possibilidade de baratear tanto a pesquisa como o acesso ao tratamento médico com células-tronco (UnB Ciência 14.02.2011).
Outras pesquisas de países desenvolvidos já mostravam evidências de que as células-tronco de dentes decíduos são similares àquelas encontradas no cordão umbilical. Quando comparadas às células-tronco provenientes da medula óssea e da polpa de dentes permanentes, notou-se que as células-tronco de dentes decíduos, SHED (stem cells from human exfoliated deciduous teeth) apresentaram uma maior taxa de proliferação. Além disso, dados desse estudo indicam que as SHED possuem habilidade de se diferenciarem em células odontoblásticas funcionais, adipócitos e células neurais, além de estimularem a osteogênese após a transplantação in vivo (MIURA, M. et al, 2003 apud SOARES, A.; KNOP, L.; JESUS, A. et al).
Os estudos com células-tronco em polpa dentária e o avanço da ciência caminhando juntas garantem um futuro promissor e quem sabe poderão ser usadas em tratamento nos hospitais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Células-tronco de polpas dentárias humanas são células pluripotentes que além de apresentarem grande plasticidade, são potencialmente importantes nos estudos da biologia da polpa.
Hoje em dia existe um grande avanço nos experimentos com células-tronco adultas provenientes da polpa. Por isso é possível que em um futuro não tão distante o tratamento através da bioengenharia na terapia em prol da humanidade.
BIBLIOGRAFIA
www.planalto.gov.br - LEI Nº 11.105, DE 24 DE MARÇO DE 2005. Regulamenta os incisos II, IV e V do § 1o do art. 225 da Constituição Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB, revoga a Lei no 8.974, de 5 de janeiro de 1995, e a Medida Provisória no 2.191- 9, de 23 de agosto de 2001, e os arts. 5o, 6o, 7o, 8o, 9o, 10 e 16 da Lei no 10.814, de 15 de dezembro de 2003, e dá outras providências.
KOLYA, C.; CASTANHO, F. Células-tronco e a odontologia. São Paulo, Brasil. Conscientiae Saúde, año – vol. 6, número 001. Universidade Nove de Julho.
SOARES, A.; KNOP, L.; JESUS, A.; ARAÚJ, T. Células-tronco em Odontologia. R Dental Press Ortodon Ortop Facial - Maringá, v. 12, n. 1, p. 33-40, jan./fev. 2007.
ACÁCIO, G. CÉLULAS-TRONCO: ONDE ESTAMOS E PARA AONDE VAMOS? Braz J Periodontol - September 2011 - volume 21 - issue 03.
NASSIF, A.; TIERI, F.; ANA, P. et al. Estruturação de um Banco de Dentes Humanos - Structuralization of a Human Teeth Bank. Pesqui Odontol Bras 2003;17(Supl 1): 70-4.
CASAGRANDE, L.; LAUXEN, I.; FERNANDES, M. O Emprego da Engenharia Tecidual na Odontologia - The Use of Tissue Engineering in Dentistry. Rev. Fac. Odontol. Porto Alegre, v. 50, n. 1, p. 20-23, jan./abr., 2009.

 

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